No início dos anos 80, um garoto
dourado do sol de Ipanema surpreendeu o cenário musical brasileiro.
À frente de uma banda de rock cheia de garra, começou a dar voz aos
impulsos de uma juventude ávida de novidades. Ele, Cazuza, era a
grande novidade.
O Brasil saía de um longo ciclo ditatorial e vivia um clima de
democracia ainda incipiente, mas suficiente para liberar as
energias contidas. Cazuza desempenhou um papel importante nesse
processo. E quando as misérias e mazelas nacionais foram se
desnudando, ele respondeu sem meias palavras.
A expressão de sua repulsa diante desse quadro só pode ser
comparada à coragem com que lutou por sua vida, no enfrentamento
público da Aids. Lições de indignação e de dignidade; de como levar
a vida na arte e "ser artista no nosso convívio".
No pouco que viveu, Cazuza deixou uma obra para ficar. Bebeu na
fonte da tradição viva da MPB para recriar, num português atual e
espontâneo, cheio de gírias, e num estilo marcadamente pessoal, a
poesia típica do rock. Com justiça, foi chamado de o poeta da sua
geração.
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